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O Ministério Público foi passar férias a Vizela?

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Vou resumir o caso para quem não o conhece. Em Abril de 2025, veio a público que Victor Hugo Salgado (VHS), presidente da câmara de Vizela, era suspeito de violência doméstica. O alegado crime teria sido cometido em Fevereiro, e teria levado Sara Eunice, esposa do autarca, ao hospital de Guimarães, com fracturas nos ossos do nariz, escoriação de um lábio, equimoses nos braços, nos cotovelos e nas pernas.

É importante sublinharmos que, durante todo este processo, VHS não disse que não bateu, espancou ou partiu. Escudou-se em formulações cobardes, apontou o dedo a uma oposição que nunca nomeou, e teve o descaramento, num comunicado conjunto – pasme-se –, de dizer que “a exposição pública destes factos constitui uma tentativa de instrumentalização da vida privada para fins de combate político.” Ora, é quase escusado dizer que, ao serem factos, são inegáveis: em vez de não negar, já parece admitir. E o resto também não deixa de espantar: o problema não é o crime, mas o que a concorrência política poderia fazer com ele.

O processo foi todo tão tosco que ninguém minimamente atento pode ter saído equivocado. Para mais, mostrava a posição do próprio em relação ao crime de violência doméstica, falando da “exposição pública de factos alheios à vida cívica ou ao debate político”. Ora, pancada dentro de casa não é coisa alheia à vida cívica nem ao debate político – e é por não o ser que é crime. É-o desde 2000, após um projecto de lei apresentado pelo Bloco de Esquerda, que contou com a unanimidade no parlamento – ou seja, tudo o que é PS concordou. Sem outro remédio, claro que Pedro Nuno Santos foi célere a retirar o apoio político a Victor Hugo Salgado.

Nesta altura, já era público que: 1) Sara tinha sido agredida; 2) Sara tinha feito uma queixa na polícia contra o marido. Ainda assim, a equipa de VHS, às portas das autárquicas, resolveu migrar com ele das listas do PS para uma lista de independentes. Ninguém........

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