O exame bonito e o paciente ruim: quem devemos tratar?
Uma das cenas mais comuns na medicina moderna acontece diante da tela do computador. O médico abre a ressonância, a tomografia ou a radiografia, observa as imagens, confere o laudo e encontra uma explicação aparentemente clara para a dor do paciente. Há uma alteração. Um desgaste. Uma hérnia. Um edema. Uma ruptura parcial. Uma inflamação. A tentação é grande: transformar imediatamente aquela imagem no diagnóstico principal. Mas a medicina raramente é tão simples.
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Na ortopedia, os exames de imagem mudaram completamente nossa capacidade de diagnosticar doenças. Hoje enxergamos estruturas com um nível de detalhe impensável algumas décadas atrás. Conseguimos identificar pequenas lesões de cartilagem, alterações tendíneas discretas, edemas ósseos, inflamações sutis e degenerações iniciais. Isso trouxe enormes avanços. O problema é que passamos a enxergar tanto que, às vezes, esquecemos de perguntar se aquilo que vemos realmente explica o que o paciente sente.
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Existe uma diferença fundamental entre alteração de exame e doença clinicamente relevante. Nem todo achado de imagem é causa de dor. Nem toda........
