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Neurociência da dor musculoesquelética: o cérebro também é ortopedia

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07.03.2026

Durante muito tempo, a dor foi tratada como um sinal simples: algo dói porque algo está machucado. O raciocínio parecia lógico, quase intuitivo. Essa lógica ainda funciona bem em lesões agudas evidentes. Mas, quando entramos no território da dor persistente, o modelo começa a falhar.

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Lesões podem cicatrizar completamente, mas a dor persistir. Exames podem mostrar estruturas relativamente preservadas, mas o paciente continuar limitado. Cirurgias tecnicamente perfeitas podem não eliminar o sintoma. Quando isso acontece, o modelo puramente estrutural se torna insuficiente.

O sistema nervoso tem a capacidade de se adaptar. Essa capacidade, chamada de neuroplasticidade, é essencial para o aprendizado e a sobrevivência. No contexto da dor, porém, pode se tornar problemática. Estímulos repetidos, estresse, medo de movimento e inflamação persistente podem levar a um estado chamado sensibilização. O limiar para disparo da dor diminui. O sistema fica hiper-reativo.

Na sensibilização periférica, terminações nervosas na região lesionada tornam-se mais sensíveis. Na sensibilização central, o próprio sistema nervoso central amplifica sinais. O resultado é dor desproporcional ao estímulo ou persistente mesmo após resolução do dano inicial. Isso ajuda a explicar por que duas pessoas com exames........

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