Visto da Lua, nada disso importa
A viagem da Artemis II nos devolve a uma antiga intuição humana: a de que a altura muda o pensamento. Quanto mais nos afastamos, mais silenciosas ficam as certezas. Lembro-me de uma passagem das "Meditações", de Marco Aurélio, o imperador estoico que aconselhava a observar as coisas como se estivéssemos acima delas, para enxergá-las em seu verdadeiro tamanho. Multidões, guerras, negócios, nascimentos e mortes, tudo visto de longe, se parece com o movimento de formigas sobre uma pedra quente: intenso para quem vive, quase imperceptível para quem observa.
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Talvez a experiência do astronauta devesse ser ensinada nas escolas como se ensina matemática ou história. Não a técnica de pilotar uma nave, mas a arte de olhar para baixo e perceber que a vida inteira cabe em um ponto azul suspenso no escuro. Se existe alguma utilidade profunda para a tecnologia que insiste em nos prometer mundos novos, talvez seja esta: ensinar o distanciamento. Do lado de lá, a pequenez. Do lado de cá, a arrogância cotidiana de acreditar que nossa rotina é o eixo do universo, sentados em um trono invisível, governando um reino que ninguém vê.
A Terra, vista de longe, não grita, não se agita com buzinas, não se desespera com prazos perdidos. Nenhuma planilha atrasada brilha no espaço. Nenhuma reunião de feedback pode ser........
