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Já não há mais moinhos como os de antigamente

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25.03.2026

Dom Quixote é um clássico no melhor sentido da palavra. Uma literatura de vida dentro de uma obra escrita. Tristeza o seu esquecimento como projeto da modernidade tardia que chamamos de pós-modernidade. O encontrei pela primeira vez na biblioteca de uma escola pública. A bibliotecária, que ainda tinha memórias de seu povo exilado no Brasil, trazia os horrores da 2ª Guerra Mundial marcados em sua pele. Seus pais conseguiram fugir dos campos de concentração, mas alguns familiares ficaram entregues à barbárie de gente que até lia palavras, mas era incapaz de pensar sobre a complexidade do mundo.

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Esta mulher, cujo nome não guardo mais, também marcou minha pele com seu gesto nobre. Aatitude de me entregar um livro e dizer: — Leia. Você vai gostar.

No gesto, a sensibilidade de alguém que, observando um menino de periferia, apontava umcaminho de elegância existencial: a literatura. Sabedora de que essa seria uma forma possívelde transcendência, tanto metafísica quanto material.

Talvez hoje eu seja professor por esse gesto. E a minha insistência com a beleza das palavras venha dessa fugitiva da 2ª Guerra cujo nome me escapa, mas cujas mãos estendidas e abertas à subjetividade alheia me marcaram para........

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