Para não dizer que não falei de Habermas e a democracia real
Jürgen Habermas, que morreu no último sábado, 14 de março, aos 96 anos, foi o expoente da segunda geração da Escola de Frankfurt. Doutor em filosofia pela Universidade de Bonn, professor em Heidelberg e Frankfurt, se tornou referência mundial por duas ideias centrais: a da esfera pública e a da ação comunicativa.
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Por isso mesmo, o eixo de seu pensamento é político, no contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, focado na ideia de que a democracia só se sustenta quando decisões de poder podem ser justificadas publicamente, em linguagem compreensível e sob regras minimamente compartilhadas.
Essa sua contribuição teórica ajuda a compreensão da conjuntura brasileira e das adversidades da nossa democracia. Estamos acostumados a debater os problemas da economia, da segurança pública e da justiça, porém, a questão central que emerge na conjuntura brasileira é a sua legitimação.
O sistema político continua funcionando, as instituições seguem em pé, a economia entrega alguns indicadores positivos, mas a sociedade não reconhece automaticamente nesses resultados uma razão suficiente para confiar no governo, no Congresso ou no Supremo.
Quando isso acontece, há uma fratura entre o funcionamento formal das instituições e a crença social em sua legitimidade. Instala-se uma crise entre o sistema e a vida banal: o Estado opera, mas deixa........
