Falar sobre a Guerra do Paraguai é um dos pecados capitais da diplomacia
Um dos sete volumes da coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, “Xadrez, Truco e Outras Guerras”, do escritor José Roberto Torero, é inspirado na Guerra do Paraguai, o maior conflito armado internacional em que o Brasil esteve envolvido no continente. O livro é uma sátira macabra envolvendo personagens em conflito durante a Guerra do Paraguai. Seu pecado capital é a ira. A narrativa acompanha, de forma ficcional, a implacável perseguição ao mariscal Francisco Solano López, ditador do Paraguai, por determinação do príncipe francês Gastão de Orléans, o Conde d’Eu, comandante-chefe do Exército imperial na fase final da guerra. Casado com a princesa Isabel, herdeira do trono brasileiro, o príncipe francês era mau como o pica-pau.
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A guerra começou em 1864, com a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda e a invasão da então província de Mato Grosso pelas forças paraguaias, e terminou em 1870. O Paraguai sofreu uma catástrofe demográfica: perdeu quase 90% da população masculina adulta e sua população foi reduzida a menos da metade. Não há provas de que a Inglaterra teria provocado a guerra para destruir um Paraguai industrializado e autônomo.
A memória do conflito permanece tão sensível que boa parte da documentação histórica é cercada por controvérsias sobre seu sigilo. Em 2004, o governo paraguaio chegou a pedir oficialmente acesso a arquivos brasileiros sobre a guerra e da posterior........
