Democracia participativa ou apenas um teatro?
Fatos são aquelas coisas incômodas que teimam em contrariar sentimentos, narrativas ideológicas e preferências particulares. No planejamento urbano, a recusa em encarar os fatos e os números não é apenas uma miopia acadêmica; é uma escolha política com consequências geracionais.
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Quando o debate técnico é substituído pelo palanque, a cidade adoece, o patrimônio se deteriora e quem paga a conta, invariavelmente, é quem mais precisa de habitação, infraestrutura e oportunidade.
Olhemos para Nova Iorque. Recentemente, o prefeito anunciou, com o estardalhaço de quem jamais desce do palanque, o congelamento dos aluguéis na cidade (para os apartamentos regulados).
A medida foi aplaudida como um marco de justiça social, mas a economia e a história urbana não ligam para aplausos. O que se impõe ali é uma medida, no mínimo, cínica: o poder público limita a remuneração dos proprietários sob a justificativa de proteger o inquilino, mas recusa-se a congelar o imposto predial, e os custos regulatórios que a própria prefeitura impõe.
Nem precisa ser um gênio para entender que a conta não fecha. Sem fluxo de caixa, o proprietário corta a manutenção, o edifício consome a si mesmo pelo tempo, unidades são lacradas e retiradas do mercado e, no limite, o prédio degradado vira alvo fácil........
