menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O porquê dos porquês

11 0
26.05.2026

“Por que o céu é azul? Por que o cachorro abana o rabo? Por que a vovó faz bolo só de chocolate?”. A fila de porquês vem como um trem sem freio nas crianças. Cada pergunta uma pequena lâmina que divide o mundo ao meio: aquilo que a gente sabe, aquilo que a gente imagina e aquilo que a gente finge saber. As respostas das crianças não exigem elegância: querem sentido, nome, razão. Quando um adulto responde com meia-verdade ou com um gesto cansado, é como se oferecesse um remédio diluído — cura momentânea, mas a febre da curiosidade persiste.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

É curioso: quando perguntam “por que?”, insistimos em ensinar leis da natureza, cores, nomes. Mais tarde, quando um “por que?” reaparece com roupagem política ou médica, muitos de nós trocamos a explicação por um credo. O mesmo cérebro que, de joelhos no tapete da sala, entendia que o céu é azul por causa da dispersão da luz, passa a acreditar em narrativas que são simples, quentes e indulgentes. A infância é pedagógica; a maturidade, por vezes, é defensiva.Negar o óbvio virou esporte da espécie humana. Tem gente que nega vacinas como se fossem invenções de ficção científica, como se estivesse recusando uma sopa que, dizem, mata o dragão. O ato de negar é ritual: reúne grupos, cria discursos, liberta culpabilidades. “Não é pânico, é liberdade”, dizem, e misturam termos como se palavras fossem talheres que isolam a verdade. A vacina — tão humilde no frasco, tão potente na........

© Estado de Minas