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Absolvição garantida

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30.06.2026

Dispam-se de preconceitos e hipocrisia. Se as religiões um dia os condenaram, a ciência de hoje os absolve. Houve um tempo em que mulheres e homens temiam mais a própria mão direita (ou esquerda) do que o inferno. E o inferno, naquela época, não era pouca coisa. Era um departamento concorrido, com fila, senha e vaga garantida para praticamente todo mundo. Ainda assim, nenhuma chama eterna assustava tanto um rapaz de bem quanto o aviso, repetido do púlpito e da cátedra médica com a mesma cara de enterro, de que aquele gesto solitário — praticado às escondidas, debaixo das cobertas, com a respiração de quem desarma uma bomba — o levaria infalivelmente à cegueira, à loucura, à tuberculose e, nos casos mais imaginativos, ao brotar de pelos na palma da mão. Era o pecado que se autodenunciava. Bastava o sujeito virar a mão para cima diante do confessor e pronto: estava entregue.

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Apresento o réu. Chamemo-lo, com o respeito que se deve a um homem caluniado por séculos, de punheteiro ou onanista. Não é um sujeito específico. É uma multidão, espalhada por toda a história e por todas as latitudes, sem distinção de credo, classe social ou time de futebol. A masturbação é, possivelmente, a coisa mais democrática que a humanidade já produziu. As pesquisas sérias — e há pesquisas sérias sobre isso — mostram que a quase totalidade dos homens e a larga maioria das mulheres praticam. Os que juram não praticar geralmente........

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