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Parlamentares sem apetite para disputar governos

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06.02.2026

Na sucessão estadual de 2002, o então presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves (PSDB), decidiu concorrer ao governo de Minas, depois de obter do governador Itamar Franco o compromisso de apoiá-lo. Impedido de disputar a reeleição pelo então vice-governador Newton Cardoso, que detinha o controle do PMDB à época, Itamar – que também fora boicotado pela Executiva Nacional peemedebista em sua pretensão de se candidatar à Presidência da República –, se vingou: em Minas foi de Aécio e para presidente apoiou Lula contra o candidato do PSDB, José Serra, coligado ao PMDB de Rita Camata.

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Naquele tempo, deputados estaduais e federais construíam as respectivas carreiras não apenas se lançando às eleições municipais, para as quais, em caso de derrota, retornavam aos respectivos mandatos. Assumiam riscos calculados ao se lançar a voos mais altos. O presidencialismo de coalizão vivia o seu auge, com o Planalto cultivando a sua base neste sistema partidário ainda hoje ultrafragmentado pelo controle da comporta de emendas parlamentares, programas e investimentos nas bases eleitorais. No primeiro mandato do governo Lula, oposição se limitava praticamente ao PSDB e alguns poucos do União (antigo DEM). O Centrão seguia embalando a máxima: “Tem governo, estou nele.”

Quase um quarto de século depois, o presidencialismo de coalizão é uma engrenagem falida não só pela autonomia que alcançam parlamentares com as emendas impositivas. Mas, e sobretudo, no contexto em que as mídias digitais centralizam os fluxos de comunicação e ascenderam ao parlamento novos........

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