Ondas de afeto e aversão, décadas de um Brasil partido
Nas eleições presidenciais de 2002, a polarização afetiva do eleitorado brasileiro à direita e à esquerda alcançava 31% de pessoas mobilizadas em defesa de “um lado”, ao qual demonstravam “afeto”, ao mesmo tempo com aversão ao campo adversário. Vinte anos depois, no pleito presidencial de 2022, polarizados dos dois campos alcançaram 64% dos votantes. Não foi um crescimento uniforme entre os grupos da direita e da esquerda. Manifestou-se em duas ondas, em pontos de inflexão, nos pleitos de 2018 e 2022. Fenômeno que grita nas redes sociais e nas mesas das famílias, quais são as bases sociais desta polarização afetiva? Até que ponto sobreviverá ao contexto do pós-lulismo e do pós-bolsonarismo?
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Subestimado ou estratégico? Cleitinho e a sucessão mineira
Tais são as indagações perseguidas por Jairo Nicolau, cientista político, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas – Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (FGV – CPDOC), em seu mais recente livro “O país dividido: duas décadas de eleições presidenciais no Brasil (2002-2022)”, editora Zahar/2026. Em entrevista a esta coluna, Jairo Nicolau assinala que diferentemente de países como os Estados Unidos, em que a polarização se processa em torno de dois partidos políticos, em sua pesquisa ela foi mensurada em termos de afeto e rejeição em relação às candidaturas que disputaram o segundo turno dos pleitos presidenciais. Isso porque, exceção ao PT – e só mais recentemente em menor........
