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Lendo Proust no Brasil

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03.08.2026

A memória de Marcel Proust (1871-1922) foi intensamente celebrada nos anos em torno a 2022, centenário de sua morte. Em 2021, comemorara-se o sesquicentenário de seu nascimento. A bibliografia sobre sua vida e sua obra, já extensa, atingiu naquele período um patamar incontrolável.

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Há muita satisfação em ver um autor predileto estudado, comentado exaustivamente. Mesmo os proustianos mais perseverantes, porém, nos vemos hoje diante da impossibilidade de ler tudo o que repousa nesse altar. E para quem está se decidindo a mergulhar em “À procura do tempo perdido”, existe o risco de ceder à tentação de ler sobre o romance, em vez de ler o romance.

No oceano bibliográfico, dois livros publicados em 2022, ambos pela editora Gallimard, merecem menção especial, pela qualidade e o elo com o Brasil.

Comecemos pelo volume coletivo “Proust-Monde: Quand les écrivains étrangers lisent Proust”. Um de seus organizadores é o suíço-brasileiro Étienne Sauthier, especialista da difusão e da recepção de Proust no Brasil. Trata-se de uma coleção de textos em que escritores e tradutores de diversas nacionalidades relatam suas percepções diante da obra do autor francês.

Segundo a prefaciadora, Blanche Cerquiglini, responsável pela coleção Folio Classique, selo pelo qual o livro foi lançado, a antologia desvenda que “outros que nós, apartados pelo tempo e a distância, nos entendem tão bem quanto nós mesmos”.

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Comentários de alguns autores brasileiros são incluídos, inclusive um artigo de 1983 de Antonio Candido, traduzido para........

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