Opinião | O impossível se tornou apenas improvável
A velocidade e a intensidade dos movimentos geopolíticos têm tirado o sono de chefes de Estado e de governo. A previsibilidade foi abalada por decisões e acontecimentos que, até há poucos anos, pareciam impensáveis e hoje ocupam as salas de decisão. Mais do que choques episódicos, trata-se de uma mudança estrutural: pressupostos antes estáveis deixaram de orientar o comportamento dos atores. O impossível mudou de estatuto e tornou-se plausível.
A guerra entre Rússia e Ucrânia tornou isso evidente. Um conflito convencional em larga escala na Europa parecia fora do horizonte: a União Europeia e a arquitetura de segurança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) serviam de proteção. Isso se revelou menos uma certeza e mais uma aposta política do pós-guerra fria. A guerra se prolonga e, ainda que haja paz, o precedente está dado: a força voltou a ser instrumento de revisão da ordem. Nela convivem trincheiras que lembram a 1.ª Guerra Mundial, artilharia e volume de munição típicos da 2.ª Guerra e tecnologias recentes – drones, inteligência artificial (IA) aplicada à seleção de alvos e operações integradas em múltiplos domínios. Doutrinas militares estão sendo reescritas, orçamentos de defesa alargados e alianças reavaliadas. A nova guerra tende a combinar o pior das........
