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Opinião | Chips, dados e poder: a nova guerra fria tecnológica

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Durante a guerra fria, a corrida espacial simbolizou mais do que avanços científicos: era a materialização da supremacia entre duas potências rivais, entre os Estados Unidos e a União Soviética. No século 21, esse papel estratégico é desempenhado pela tecnologia. Chips, redes, inteligência artificial (IA) e dados deixaram de ser meros instrumentos de inovação para tornarem-se armas silenciosas numa disputa global por influência e poder. Nesse contexto, o comércio internacional não é mais apenas um espaço de trocas econômicas, mas um campo de confrontos geopolíticos no qual grandes empresas de tecnologia, como TSMC, Nvidia, Huawei ou ByteDance, desempenham papel central, muitas vezes influenciando diretamente políticas nacionais e estratégias globais.

Atualmente, o embate entre Estados Unidos e China ilustra de maneira clara essa transformação. A dependência global de semicondutores, a expansão das redes digitais e o valor econômico dos dados fizeram da tecnologia um recurso estratégico comparável ao petróleo no século 20. A guerra comercial iniciada de forma mais explícita durante o atual governo Donald Trump, com o chamado tarifaço, é um marco decisivo dessa nova era. Sob o argumento de proteger a indústria norte-americana, Washington elevou tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em produtos chineses. Na prática, a medida produziu efeitos globais: encareceu insumos, aumentou custos para empresas e consumidores nos próprios Estados Unidos, provocou incertezas para investidores e........

© Estadão