Notícia | Bancos de investimento aceleram receitas, com renda fixa em destaque
Em 2025, ano em que a Selic alcançou 15% e o mercado de ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) permaneceu fechado, a receita combinada de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil com serviços de banco de investimento cresceu 3,2% em 2025, para R$ 9,1 bilhões, conforme levantamento da Coluna. Mas o segmento acelerou ao longo do segundo semestre, com um ambiente de juros favorável à renda fixa. Assim, somente no quarto trimestre, o faturamento do grupo teve uma expansão anual de cerca de 20%, para R$ 2,8 bilhões. A renda fixa foi o principal motor do movimento, mas os maiores bancos do País já começam a vislumbrar uma janela de oportunidades em ações.
Em 2025, o volume de ofertas no mercado brasileiro alcançou o nível recorde de R$ 838,8 bilhões, dos quais R$ 737,7 bilhões foram via renda fixa, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Para 2026, a expectativa de banqueiros é de que as emissões de dívida continuem dominando, mas há espaço para um maior dinamismo na renda variável.
Vendas de ações em blocos e ofertas de empresas já listadas (follow-ons) tendem a puxar a fila. Entre os exemplos mais recentes, a Cury levantou R$ 574 milhões em um follow-on, a R$ 35,5 por ação, para pagar dividendos em dezembro, antes da entrada em vigor da nova tributação sobre estes proventos. Já a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) anunciou que usará o modelo de follow-on para conduzir sua privatização.
Há dúvidas sobre o fim da seca de IPOs
O fim da seca de IPOs na B3, por outro lado, é mais incerta. Há perspectiva de que operações ocorram ainda no primeiro semestre, mas há também quem tenha dúvidas. O sucesso inicial da estreia da PicPay em Wall Street chegou a animar investidores, mas o papel caiu cerca de 20% nas semanas seguintes, o que esfriou também o IPO do Agibank em Nova York.
“Se houver oportunidades, serão casos muito específicos e pontuais, talvez abra uma janela pós-eleições”, afirmou o presidente do Itaú, Milton Maluhy, durante coletiva de imprensa para comentar os resultados do banco no quarto trimestre de 2025.
O Itaú participou de seis transações de renda variável nos três últimos meses do ano passado, que movimentaram R$ 2,4 bilhões em volume. Em M&A, assessorou 20 operações no País, de R$ 32,7 bilhões. A receita com assessoria econômica financeira, que também inclui corretagem, caiu 5% em 2025, para R$ 4,6 bilhões, mas teve evolução positiva na passagem para o último trimestre, quando somou R$ 1,4 bilhão.
Bradesco viu salto de 29%
Já o Bradesco registrou um salto de 29% na arrecadação com prestação de serviços em mercados de capitais, para R$ 2,2 bilhões no ano passado. O banco da Cidade de Deus atuou em 507 operações, que totalizaram cerca de R$ 576 bilhões em volume. Em dívida, foram 487 transações, de R$ 532 bilhões, enquanto a área de renda variável assessorou quatro negócios, de R$ 12 bilhões. M&A mobilizou R$ 32 bilhões em 16 operações.
O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, avalia que o mercado de capitais pode surpreender, embora esteja menos otimista em relação a IPOs. Para ele, investidores seguirão observando questões estruturais, como o problema da escalada da dívida pública. “A depender do macro, o final do ano pode ser positivo no mercado de capitais”, disse ele.
Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 13/02/2026, às 13:50
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