A banca continua a ser simples. O problema é tudo o resto
Há uma tendência curiosa na banca: quanto mais complexa se torna por dentro, mais tenta convencer-nos de que é incompreensível por fora. Entre rácios, siglas, relatórios de supervisão e discursos herméticos, quase esquecemos o essencial. E o essencial é simples: os bancos continuam a ser o mecanismo central que transforma poupança em investimento. Recebem o dinheiro de uns, emprestam-no a outros. É isto que os torna indispensáveis à economia.
E há um privilégio que amplifica esse papel: os bancos não se limitam a intermediar dinheiro, criam-no, de forma escritural, quando concedem crédito. O mecanismo da reserva fracionária permite-lhes multiplicar cada euro depositado, podem emprestar outro tanto. Esta capacidade, que remonta ao final da Idade Média, é o que fez da banca o motor do crescimento económico moderno.
Mas quando olhamos para Portugal, percebemos que esta engrenagem está longe de funcionar no seu potencial. Os depósitos estão em máximos históricos, reflexo de anos de incerteza e de uma cultura de poupança defensiva. E,........
