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Menos Violência, Mais Desporto

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27.02.2026

A semana que passou voltou a registar episódios de violência associados ao desporto em Portugal. Não é novidade, infelizmente. Persistem comportamentos que parecem não querer abandonar uma sociedade que, no seu todo, é pacífica e equilibrada. A esmagadora maioria dos adeptos vive o desporto com paixão saudável, mas continua a existir uma franja de grupos bem mais organizados do que aparentam, muitas vezes associados ao futebol e a determinados emblemas de maior dimensão nacional, que insiste em confundir desporto com confronto.

É importante dizer com clareza: que esta violência nada tem a ver com desporto. Trata-se de um problema social, educativo e, quase sempre, de ordem pública. O desporto é apenas o palco onde esses comportamentos se manifestam. Não é a sua causa. Misturar as duas dimensões é injusto para milhares de atletas, dirigentes, treinadores, voluntários e adeptos que vivem o desporto como espaço de convivência, superação e respeito.

Por isso, a solução também deve ser clara. Quem transforma estádios e pavilhões em cenários de intimidação e violência deve ser afastado. O combate a estes comportamentos exige ação firme das autoridades, aplicação consistente dos legislação e responsabilização individual. Não é o desporto que tem de ser penalizado, são os comportamentos desviantes que têm de ser corrigidos. Retirar essa gente dos recintos desportivos é proteger o desporto e devolver-lhe a dignidade que merece.

Ao mesmo tempo, importa não perder o foco do essencial. Enquanto se discute violência nas bancadas, o país enfrenta desafios estruturais muito mais profundos no setor desportivo. As recentes intempéries que afetaram várias regiões, particularmente no centro do país, deixaram instalações desportivas danificadas ou inoperacionais, muitas vezes o único espaço de prática regular para crianças e jovens, e que, precisam de ser reerguidos e reativados com urgência.

É aqui que a atenção de todos se deve concentrar. O desporto é um instrumento poderoso de inclusão social, educação e coesão comunitária. Cada instalação requalificada é uma oportunidade renovada para afastar jovens de contextos de risco e aproximá-los de valores como disciplina, cooperação e respeito. Investir em infraestruturas não é apenas investir em ferro e betão, é investir em prevenção social e em qualidade de vida.

Se queremos uma sociedade melhor, mais equilibrada e mais saudável, precisamos de fortalecer o desporto na sua essência. Garantir condições de prática, apoiar clubes locais, promover formação de treinadores e dirigentes e assegurar que os recintos sejam espaços seguros e acolhedores. A violência deve ser tratada como questão de segurança e justiça, o desporto deve ser preservado como ferramenta de desenvolvimento humano.

Portugal precisa de escolher onde coloca a sua energia. Perder tempo a justificar comportamentos inaceitáveis é um erro. Reerguer instalações, apoiar comunidades e proteger o verdadeiro espírito desportivo é o caminho, e isso é também responsabilidade de todos. O desporto não é o problema. Pode e deve continuar a ser parte da solução.


© Diário do Minho