Por Entre Linhas e Ideias
Porque continuamos a precisar de heróis? Foi a partir desta inquietação que pensei a crónica de hoje, num mundo repleto de facilidades que outras gerações dificilmente poderiam imaginar, onde comunicamos em segundos, nos deslocamos com facilidade e vivemos ligados a um fluxo constante de informação. Ainda assim, este mundo expõe um mal-estar crescente, como se o conforto já não bastasse para dar sentido à vida. Muitos dos nossos leitores conhecem Viktor Frankl, fundador da Logoterapia, que, no livro Em busca de sentido, escrito a partir da sua experiência nos campos de concentração, sintetizou esta ideia ao afirmar que “o ser humano não sofre tanto pela dor, mas pela falta de significado da dor”.
Assim se percebe que a necessidade de super-heróis não seja nova e atravesse a história desde a Antiguidade, quando surgiram figuras como Hércules, Aquiles ou Ulisses, heróis que concentravam numa só personagem aquilo que a comunidade desejava ser, mas não conseguia. O Super-Homem surge como continuação dessa narrativa antiga, agora em versão moderna, pois, apesar de mudarem os nomes e os cenários, a necessidade mantém-se. Por essa razão, os super-heróis fascinam-nos, porque respondem a essa sensação de esforço contínuo e de falta de sentido........
