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OS DIAS DA SEMANA É preciso ir votar

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01.02.2026

 

 


 


 

A aldeia dos meus avós paternos fica a entre quinze e vinte minutos de viagem de automóvel a partir do centro da cidade de Braga. Há 50 anos, a deslocação era bem mais demorada e perigosa, por uma estrada que, numa altura como esta de invernia, estaria, talvez, intransitável. Quem quisesse vir à cidade e não possuísse viatura própria apenas podia dispor de uma camioneta que passava pela aldeia de manhã cedo e ao fim da tarde. Não circulavam autocarros a todas as horas como hoje, sendo certo que há cinco décadas muito raramente alguém ia à cidade. As pessoas da freguesia que tinham automóvel contavam-se pelos dedos de uma mão.

A lista do que há 50 anos não havia é inimaginável para os mais novos e os mais velhos já nem dela, talvez, se lembrem. Não eram só os transportes públicos que escasseavam. Faltava quase tudo. À aldeia não chegava a electricidade. As casas, assim como os caminhos públicos, não tinham, pois, luz eléctrica. As casas também não dispunham de água canalizada. Nem de saneamento básico. No Inverno, eram casas gélidas. A palavra conforto era desconhecida. Quem não viveu esse período é incapaz de imaginar o que era a vida na altura. A generalidade das comodidades hoje banais não existia. A pobreza era muita e muito severa. A fome existia. A........

© Diário do Minho