Apanhados 52
Penso que a Câmara Municipal já deu início à remendagem dos buracos existentes nas vias rodoviárias internas e externas da cidade; e este tapar dos buracos já é tema há muito tempo nas conversas dos automobilistas que na sua deambulação rodoviária quer profissional, quer de lazer, tinham com eles de se confrontar.
E nesta luta constante entre o automóvel e o buraco é sempre aquele que fica perder, pois, muitas vezes, o buraco está pouco visível ou exposto; e desta contingência os prejuízos são, quase sempre, bem sérios para grande número de automobilistas.
Frequentemente ouvem-se lamentações e desesperos de automobilistas que, por estarem no sítio certo à hora errada que é como quem diz em maré de grande azar, daí saem com pneus rasgados, direções torcidas ou amortecedores danificados; e, se não for o seguro automóvel contra todos os riscos, ninguém valerá a estes automobilistas, a não ser o acionamento de um Processo de reclamação contra a Câmara Municipal de onde podia sair ou não uma remuneração para compensar dos danos e prejuízos sofridos.
Também o mesmo problema, embora com menos abrangência e especificidade, estende-se aos espaços públicos para os peões ou seja às praças, largos e ruas mais frequentados da cidade; e sei do que falo, porque já vi colegas meus a serem vítimas de tropeções e quedas provocados por buracos no piso ou deslocações e levantamentos de lajes e paralelos; e não havendo pneus traçados nem outros danos inerentes aos veículos automóveis, o problema nem sempre é menor se acontecerem quedas que levem peões ao hospital ou os deixem com pernas, braços ou tornozelos bem amaçados.
Pois bem, esta forma encontrada para a resolução de tão tormentoso problema para quem tem de andar automobilizado diariamente não me parece a melhor, nem a mais eficiente e satisfatória para ambas as partes: Câmara Municipal e automobilistas; é que o remendo, como muitas soluções de ocasião, não dura sempre, e até direi que não dura quase nada, porque o constante uso a que é sujeito não garante a mínima longevidade da solução e, muitas vezes, a sua prática pouco satisfatória é para quem tem de se sujeitar a tão disforme e antiga utilização de tapar buracos com ligeireza e pouca ou nenhuma durabilidade.
E esta realidade traz-me à lembrança os tempos de criança na aldeia onde os
remendos nas calças da canalhada menos favorecida monetariamente eram uma constante; e, para além do trabalho que as mães enfrentavam a tapar os ditos cujos, depressa se debatiam contra o desespero de o buraco não ter muita garantia de durabilidade.
Ora, entendo que, como medida profilática de urgente necessidade, esta ação da Câmara Municipal aceita-se; mas como medida económica, quer para os automobilistas, quer para a autarquia, peca pela pouca oportunidade e proveito, na medida em que depressa se vai o remendo e volta o buraco, como acontecia nas calças da canalhada de antigamente.
Espera-se e deseja-se, pois, que depressa se recorda ao alcatroamento completo dessas vias, como noutros tempos; e somente deste modo a tranquilidade dos automobilistas regressará às suas mentes e carteiras; e, obviamente, a Câmara Municipa cumprirá os seus deveres e obrigações para com os munícipes que governa com a legitimidade que por eles lhes foram conferidos.
Eu sei que os tempos estão cada vez mais difíceis, porque os carcanhóis se vão escapulindo inopinadamente; mas é tudo uma questão de prioridades e esta dos arranjos das vias públicas, que rodoviárias, quer pedonais não é a menos importantes se a compararmos com outras atividades, como as de diversão (festas e festinhas) que podem esperar quando não têm muita urgência.
Vamos lá, então, senhor Presidente, penso que não é por falta de verbas que a coisa se não resolve e muito menos quando as ocasiões eleitorais ainda estão muito longe; depois, a meu ver, nestas questões o mais importante é a necessidade pública, que, por isso, à frente deve estar dos desígnios de qualquer Câmara Municipal que presa os seus munícipes.
Então, até de hoje a oito.
