Nem tudo o que desaparece é uma perda – e nem toda a perda desaparece
Vivemos numa época em que aprendemos a medir a vida pelo que acumulamos. Acumulamos experiências, fotografias, contactos, conquistas, etapas. Crescer parece significar, quase sempre, acrescentar: mais conhecimento, mais estabilidade, mais possibilidades. Mas há uma verdade silenciosa que raramente ocupa lugar nas conversas do dia-a-dia: viver implica também perder. Perdemos pessoas. Mas perdemos igualmente lugares, versões de nós próprios, ideias sobre o futuro, papéis que desempenhávamos, projetos que nunca aconteceram e fases da vida que terminaram sem aviso. Perdemos formas de olhar para o mundo e, por vezes, até as certezas sobre quem julgávamos ser.
Nos últimos anos, o meu trabalho sobre o luto tem-me mostrado que nem todas as perdas recebem reconhecimento social. Algumas não têm rituais. Não há flores, não há cerimónias, não há dias assinalados no calendário.........
