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Falar da morte não é ser pessimista, é ser humano

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23.02.2026

Há um desconforto quase automático sempre que a morte entra numa conversa. Não precisa de ser uma morte concreta. Basta a palavra, a possibilidade, a lembrança. O ambiente muda ligeiramente: uns tentam aliviar com humor, outros apressam-se a mudar de assunto, e instala-se a sensação de que se tocou num tema que deveria permanecer fora da vida comum. Como se falar da morte fosse excessivo, como se nomeá-la fosse aproximá-la e como se silenciá-la pudesse proteger-nos dela.

Esta reação não é apenas individual. É profundamente social. A forma como cada pessoa lida com a morte está ligada à forma como a sociedade, historicamente, aprendeu a organizá-la, escondê-la ou reconhecê-la.

Houve um tempo em que a morte acontecia dentro de casa. A família reunia-se, os vizinhos entravam, as despedidas eram acompanhadas e a comunidade participava na passagem entre a vida e a........

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