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Sono e saúde: porque dormir é essencial

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13.03.2026

Dormir é uma necessidade biológica tão fundamental como respirar, beber água ou alimentar-se. No entanto, numa sociedade cada vez mais acelerada, o sono continua a ser frequentemente desvalorizado, encarado como tempo perdido ou como algo que pode ser facilmente compensado mais tarde. Contudo, a ciência mostra exatamente o contrário: dormir é investir na saúde, no bem-estar e na qualidade de vida. 

É durante o período do sono que o organismo entra num verdadeiro “modo de reparação”, algo que é tão essencial como qualquer outra necessidade básica. É durante o sono, que o cérebro organiza memórias, consolida aprendizagens, regula emoções e elimina substâncias que se acumulam ao longo do dia. Simultaneamente, o corpo repara tecidos, equilibra hormonas e reforça o sistema imunitário. Uma noite de sono de qualidade contribui para maior concentração, melhor desempenho profissional e escolar, maior capacidade de decisão e relações interpessoais mais equilibradas. 

Dormir de forma regular e com qualidade contribui, igualmente, para a prevenção de várias doenças. A privação crónica de sono aumenta o risco de hipertensão, diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e depressão. Uma má qualidade de sono afeta, ainda, a regulação do apetite, a resposta ao stress e a capacidade de o organismo combater infeções. Como amplamente descrito, o sono não serve apenas para recuperar energia, protege também a saúde física e mental, ao longo da vida. 

A maioria dos adultos necessita, em média, entre sete e nove horas de sono por noite. No entanto, mais importante do que o número de horas é a regularidade e a qualidade do descanso. Horários muito irregulares, exposição prolongada a ecrãs antes de se deitar, refeições pesadas à noite, consumo de cafeína ao final do dia ou ambientes ruidosos e com luz excessiva prejudicam a entrada no sono e contribuem para a fragmentação do mesmo. 

A criação e manutenção de uma boa higiene do sono podem parecer um gesto simples, mas é muito mais poderoso do que parece. Manter horários semelhantes para deitar e acordar, inclusive ao fim de semana, preparar um ambiente calmo e escuro no quarto, reduzir o uso de ecrãs antes de dormir, apostar em rotinas relaxantes e respeitar os sinais naturais de cansaço ajudam o corpo a reconhecer o momento de descansar. 

É também importante reconhecer os sinais de alerta relativos ao sono que o corpo e a mente vão evidenciando. A dificuldade persistente em adormecer, o acordar várias vezes durante a noite, a sensação de cansaço constante, a irritabilidade, dores de cabeça matinais ou sonolência excessiva durante o dia não devem ser normalizados. Procurar apoio de profissionais de saúde permite identificar problemas como insónia, apneia do sono ou perturbações do ritmo biológico, que têm tratamento em caso de acompanhamento adequado. 

Num mundo onde o desenvolvimento social e económico são uma prioridade, cuidar do sono é também cuidar da produtividade, da segurança no trabalho, do sucesso escolar e da saúde das comunidades. Dormir melhor é uma escolha individual, mas os seus benefícios refletem-se na família, na escola, nas empresas e no sistema de saúde. 

Dormir não é parar. É preparar o corpo e a mente para viver melhor cada dia. 


© Diário do Minho