Visitem o Barroso antes que desapareça
Visitem o Barroso antes que desapareça
Assiste-se, nos últimos tempos, a uma assimetria evidente na cobertura jornalística dos grandes meios de comunicação social em Portugal relativamente aos projetos de mineração no Barroso — a única região do país classificada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como Património Agrícola Mundial. Enquanto as legítimas preocupações das populações locais ocupam espaços secundários ou meramente pontuais nas grelhas de programação nacionais, as administrações e os gabinetes de comunicação das empresas mineradoras, nomeadamente da Savannah Resources, encontram portas abertas para apresentar as suas perspetivas sem o devido contraditório ou escrutínio técnico.
O paradoxo desta situação torna-se ainda mais flagrante quando confrontado com a recente celebração do Dia Mundial da Conservação da Natureza. Coincidindo com esta data, a Fundação Belmiro de Azevedo partilhou o seu apoio financeiro ao projeto SIPAM-Barroso, uma iniciativa científica desenvolvida pelo Instituto Politécnico de Bragança. Este projeto destina-se especificamente a restaurar pastagens, reabilitar habitats naturais, reforçar a biodiversidade e reduzir o risco de incêndios através da valorização das práticas agrícolas sustentáveis da região. O contraste é demolidor para o espaço público: enquanto a ciência e o mecenato privado investem recursos para conservar e reabilitar a riqueza ecológica do Barroso, o poder político viabiliza frentes de extração que comprometem o futuro desse mesmo território.
Cabe, por isso, ao espaço de opinião regional analisar de forma crítica se as promessas do lóbi mineiro resistem à realidade social. O Diretor Executivo (CEO) da Savannah enfatiza o potencial de fixação demográfica e o incentivo ao regresso de emigrantes através da criação de empregos. Contudo, ninguém abdica da sustentabilidade da sua terra natal para apoiar a abertura de frentes de lavra a escassos metros das habitações. Os riscos........
