Vade retro Défice Orçamental
Vade retro Défice Orçamental
Durante anos habituámo-nos a ouvir que o défice público era uma abstração técnica, uma variável macroeconómica para iniciados, um número sem rosto inscrito numa folha de Excel do Ministério das Finanças. A falência do Estado e a vigilância da troika veio desmentir essa propaganda manhosa e desonesta.
Para quem tende a ignorar os factos, é bom recordar que défice é sempre uma escolha política concreta: gastar hoje o que não se arrecadou, transferindo a conta para amanhã.
Tolerar o défice é abrir a porta a todo o tipo de cretinice cometida em nome do “nosso interesse”, mas sem mandato explícito para tal. É autorizar o poder a viver acima das suas possibilidades usando o nosso cartão de crédito coletivo.
Há sinais inquietantes de que está em curso um processo subtil de habituação à ideia de défice orçamental. Fala-se novamente do défice como se fosse inevitável, quase desejável, um instrumento virtuoso de........
