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Os profissionais da irritação

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28.01.2026

Paulo Fidalgo

Há muitas coisas que me irritam. Contudo, não vivo permanentemente em estado de irritação. Tento acomodar a irritação como alarme discreto que me diz que algo está fora do lugar, que há um desajuste entre o que espero do mundo e o que o mundo está disposto a entregar.

Deste ponto de vista, a irritação pode até ser útil, como um toque breve no ombro que nos obriga a reparar em algo que precisa de ser feito ou interrompido. Só que, como todos os alarmes, quando toca sem parar deixa de informar e passa a magoar o ouvido e a tirar-nos do sério.

Por isso admiro-me com o vastíssimo número de pessoas que vivem constantemente super irritadas, a ponto de, em todas as instâncias, lavrarem protestos veementes, definitivos e dramáticos, como se o mundo inteiro estivesse contra elas, ou fossem condenadas a carregar nos ombros uma razão que ninguém mais partilha.

Esta tribo dos indignados, que tudo e todos escandaliza, e não conhece forma de trazer para o discurso social uma réstia de esperança, um elogio, uma observação positiva, ou o puro enunciado de uma grama de beleza, é gente muito perigosa. Perigosa não por levantar problemas — porque há problemas, e muitos, e seria infantil fingir o contrário —, mas por abolir........

© Diário de Trás-os-Montes