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A Guerra dos interesses

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16.03.2026

A Guerra dos interesses

O mundo está em guerra. Disso ninguém duvida. Os interesses dos mais poderosos marcam pontos e despoletam as guerras que lhes interessam para que esses interesses se não percam. Mas será que os interesses de uns são os mesmos dos outros? Talvez não.

Se todos estávamos preocupados com a guerra da Ucrânia e já era mais do que suficiente, acrescentaram mais Gaza e a Palestina às preocupações mundiais, que não só israelitas, envolvendo os EUA tal como queria Netanyahu. Aqui, os interesses divergiam, mas os aliados servem para despender ajudas em prol uns dos outros e à América interessa defender e manter as suas bases no Médio Oriente. Mas Gaza era somente a plataforma para lançamentos mais vastos e de interesses mais profundos. O Irão tornava-se cada vez mais incómodo e ameaçador. O avanço do enriquecimento nuclear e a possibilidade de conseguir uma bomba atómica, era um risco demasiado alto para que se permitisse essa veleidade. A guerra dos doze dias não resolveu completamente o problema e não fez vergar o regime iraniano.

Os EUA sugeriram negociações para acalmar as desavenças e impedir males maiores. As negociações não correram muito bem e nada foi decidido. Irritaram Trump e Netanyahu de tal forma que, entre negociações e sem aviso prévio, atacaram o Irão sem dó nem piedade.

É evidente que todos queriam o fim do regime terrorista e teocrático iraniano, mas não conseguiram apesar da morte do seu líder supremo. Morto Khamenei, pensaram que, decapitado o regime, seria agora mais fácil acabar com ele. Mas não se acaba com um regime de um país tão imenso só com bombardeamentos. Uma guerra aérea não submete nenhum governo, especialmente quando tem um território tão vasto como o Irão. Depressa foi escolhido outro líder, filho do anterior Ayhatolla. E a guerra continua com todos os interesses em causa.

E agora Trump? Qual é o interesse? O Mundo está a entrar em crise devido a uma guerra que ninguém queria. O estreito de Ormuz está bloqueado. Os combustíveis que por aqui passavam, aumentaram de modo brutal. O preço do gaz e derivados estão caríssimos. As consequências estão a ser desastrosas para o mundo inteiro. Ganha a Rússia, segundo parece, já que continua a fornecer o seu petróleo e a financiar a guerra da Ucrânia e os seus interesses. Curiosamente, Trump e Putin entenderam-se na questão das sanções, o que não colheu o agrado da UE e da Ucrânia, naturalmente.

Mas Trump conseguiu um dos seus objetivos. Após controlar o petróleo da Venezuela, agora o problema do abastecimento petrolífero do Médio Oriente, só o beneficia. Os EUA têm garantido o seu abastecimento com o petróleo que vem da Venezuela. E ainda dizem que Trump não tem as coisas planeadas? Afinal parece que tem e as coisas até lhe estão a sair bem. Não se sabe por quanto tempo mais, mas vamos ver.

Não contente com o que se está a fazer em Gaza, de que poucos falam agora, Netanyahu virou-se para o Líbano atrás do Hezbollah, como se conseguisse acabar com os terroristas que declaram extermínio de Israel, como se isso fosse possível. O interesse não é económico, mas político e ao mesmo tempo libertar Israel das ameaças que pululam as suas fronteiras. Agora com o enfraquecimento do Irão, talvez seja mais fácil, pois este era o grande financiador dos terroristas. Mas, a verdade é que foi o Líbano que lhes permitiu permanecer dentro das suas fronteiras, pois não tinha força para resistir. Agora é tarde demais. Estabeleceram-se entre Israel e o território libanês e será difícil sair embora Israel esteja disposto a destruir tudo onde fareje uma célula terrorista.

Para Trump, esta não é a sua guerra e não parece estar contente com o que Netanyahu está a fazer. Convencido pelo líder israelita a meter-se nesta guerra com o Irão, Trump estava longe de perceber as verdadeiras consequências que daí poderiam sair. Talvez agora esteja já a ver a realidade com outros olhos. Já perdeu militares, já foi atingido nas suas bases militares da região e nada ganhou em troca até agora. Que interesses mais movimentam Trump?

Para Putin, esta guerra, embora não esperada, dá-lhe algumas vantagens, especialmente na comercialização do petróleo depois de ser atingido com o que sucedeu na Venezuela. Um golpe de Trump direto ao coração de Putin. Mas afinal, Trump telefonou-lhe para aliviar as sanções durante mais meio ano. Que amigo que ele é!

No fim de contas, quem está a pagar uma fatura demasiado elevada é a Europa e o resto do Mundo. Tudo está a escalar em termos económicos. A crise está à porta e não se sabe quem a vai fechar. Quem mais tem interesses em tudo isto?


© Diário de Trás-os-Montes