Antes e depois das intercalares americanas
As eleições intercalares norte-americanas de 3 de novembro constituem, por tradição, o primeiro grande juízo do eleitorado sobre a atuação de quem governa. Estão em disputa todos os lugares da Câmara dos Representantes e cerca de um terço do Senado. Desta vez, em maior medida do que no passado, os resultados terão repercussões muito além das fronteiras dos Estados Unidos: na Ucrânia, na Europa e noutras regiões onde a influência norte-americana é determinante.
O país irá às urnas num contexto em que a desconfiança mútua deixou de ser conjuntural e adquiriu um carácter estrutural. As fraturas antecedem Donald Trump. Contudo, nenhum presidente moderno as aprofundou e instrumentalizou com igual persistência. Trump não procura consensos; governa com base no antagonismo, convertendo a divisão dos cidadãos num elemento central da sua estratégia política.
Confrontam-se duas interpretações da realidade. Para muitos dos seus apoiantes, Trump continua a representar a resposta necessária: a voz dos marginalizados pela globalização, o opositor de uma elite cada vez mais distante do cidadão comum e o defensor de um nacionalismo assente na exclusão. Para os seus críticos, a governação de Trump traduz uma erosão sistemática das instituições e a descredibilização do país. Poucos líderes contemporâneos têm suscitado avaliações tão antagónicas.
As projeções disponíveis apontam para dificuldades significativas para os republicanos, embora a dimensão das eventuais perdas permaneça incerta. A experiência histórica das eleições intercalares confirma este tipo de........
