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Como não apostar em cultura e outras caricaturas

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27.02.2026

A música é uma linguagem universal, apesar de conter em si mesma um conjunto de códigos mais ou menos simbólicos que são ulteriores à expressão linguística. Quando refiro este caráter universal dos sons organizados com intenção não estou a pensar em canções, tendo em conta que, na maior parte das vezes, por terem alguma língua na base, estão mais ligadas a umas pessoas do que a outras. Ainda assim, a voz pode ser universal, porque contém possibilidades ultra e paraverbais, que vão além das palavras.

Um bom exemplo desta universalidade é Lisa Gerrard, que recorre ao seu poderoso aparato vocal como se tratasse de qualquer outro instrumento, sem que haja uma letra concreta por trás. No filme (que também é um disco) de Dead Can Dance intitulado Toward the Within (1994), Lisa Gerrard descreve o estado pré-verbal da sua filha, que, ainda antes de saber falar, quando era bebé, já sabia cantar. Eram sons sem aparente ligação semiótica com algum significante, mas com propósito, que só um bebé poderia expressar. Lisa Gerrard explicou como este princípio lhe serviu de inspiração para algumas canções, que contêm voz sem palavras definidas, ainda que não sejam desprovidas de........

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