O paradoxo da proteção: sai a vítima, fica o agressor
Os dados agora divulgados pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género revelam uma realidade que merece profunda reflexão: pela primeira vez, existem mais crianças do que mulheres acolhidas na Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica. No final do 1.º semestre deste ano, encontravam-se acolhidas 688 crianças, face a 681 mulheres. Mais do que números, estes dados representam histórias de medo, instabilidade e perda.
Quando falamos de violência doméstica, tendemos a concentrar-nos nos adultos envolvidos. Discutimos a atuação da pessoa agressora, a proteção da vítima e as respostas judiciais, psicológicas e sociais. Mas há um grupo que continua demasiadas vezes a ser visto apenas como acompanhante da vítima: as crianças. No entanto, elas são também vítimas diretas da violência.........
