A fé não devia magoar: o impacto das guerras religiosas na infância
"Gosto de rezar e ir à Igreja, mas o pai diz que Deus não existe e que é tudo uma fantochada.” “A mãe não quer que eu vá às reuniões da Igreja com o pai e, por isso, vamos às escondidas.” Estes desabafos, reais e frequentes, mostram como muitas crianças vivem divididas entre dois mundos quando os pais separados têm posições opostas sobre religião.
A lei portuguesa não define de forma exaustiva o que são “questões de particular importância”, mas a doutrina e a jurisprudência têm vindo a concretizar este conceito e a apontar exemplos claros: decisões sobre saúde, educação, residência e também a educação religiosa, pelo menos até aos 16 anos. Na realidade, porém, muitas crianças acabam por ser introduzidas em contextos religiosos por iniciativa de um dos pais, sem que o outro tenha conhecimento ou dê o seu consentimento, o que gera tensões que ultrapassam o plano jurídico e entram diretamente no campo........
