Uma geração sem chave de casa
Segundo o Eurostat, os jovens portugueses abandonam o agregado familiar, em média, aos 28,9 anos, enquanto a média da União Europeia se situa nos 26,2 anos. A diferença pode parecer reduzida. Não é. Representa quase três anos de autonomia adiada, de decisões suspensas e de projetos de vida colocados entre parênteses.
O debate público interpreta este fenómeno quase sempre da mesma forma: faltam casas, as rendas são elevadas e os preços tornaram-se incomportáveis. Tudo isso é verdade. Mas é apenas a superfície do problema.
A crise da habitação já deixou de ser apenas uma crise do mercado imobiliário. Tornou-se uma crise da emancipação de uma geração.
Quando um jovem não consegue sair de casa dos pais, não está apenas a adiar uma mudança de morada. Está a adiar a possibilidade de constituir família, de aceitar uma oportunidade profissional noutra cidade, de construir património, de assumir riscos ou, simplesmente, de organizar a sua vida com independência. A........
