República Democrática do Congo: no nevoeiro do silêncio da 'cyber'-guerra!
Na sombra da “guerra do coltan e do cobre” no leste da RDC, cresce uma estruturada e progressiva vaga de ciberataques. Pouco documentados publicamente, como é natural, esta pressão do invisível, inscreve-se numa dinâmica regional, onde se mistura cibercriminalidade, vigilância do Estado e operações de influência.
O que é que está em jogo?
O elemento cyber enquanto força, enquanto poder, enquanto guerra. Um éter desnacionalizado e onde os africanos não podem alegar, “ingerências e pressões externas”!
Um número considerável de especialistas, também em “fóruns no éter”, tem partilhado informações que, mais cedo ou mais tarde, virão a público. Aqui fica o scoop raulesco:
Começando pelo mais simples, não há uma cultura de cibersegurança na RDC, o que só por si, justifica o crescendo de ataques, com objectivos económicos, políticos e estratégicos.
Ainda no domínio do facilitismo, acrescentar o fascínio pelo “feitiço do mobile money”, algo que não se vê, mas aparece! A modernização das telecomunicações e dos serviços públicos, tanto facilitou a vida do cidadão de bem, como o de mal!
O resultado é um ecossistema propício ao ataque e à oportunidade e a operações mais e mais elaboradas. Os analistas, têm colocado o tom, nos alvos “feridos”, bancos, alfândegas, aeroportos, telecomunicações, Administrações Públicas e redes sociais.
Curiosamente, são estas últimas, as redes, o primeiro alvo da resposta aos ataques, restringindo-lhe o acesso, demonstrativo da falta de plano de defesa/contingência, enquanto resposta primeira.
O Quénia, outro exemplo da ascensão destes “ataques d’ângulo morto”, registou dois milhões e meio de ameaças cyber, em apenas um trimestre. O que é que isto prova?
Uma actividade massiva de scans automatizados, tentativas de intrusão e disseminação de malware. Ou seja, há uma industrialização dos ciberataques em África, invisível e cujas consequências serão de guerra, mas sem imagens, porque o queijo é roído por dentro!
No caso congolês, a particularidade reside em três dimensões, a cibercriminalidade clássica (fraude, fishing, extorsão), a instabilidade política e securitária do Estado, e esta guerra da informação. Esta combinação cria a oportunidade para as campanhas de desinformação, de manipulação em massa e ataques a alvos específicos, em momentos específicos! Por exemplo, em 2023, a Comissão Nacional de Eleições, confirmou milhares de tentativas de intrusão, durante o período eleitoral.
Nos Grandes Lagos, o ciberespaço deixou de ser um terreno técnico, para se tornar num terreno de poder, num campo de batalha. Quem controlar os fluxos, os dados e as histórias, controla a agenda política. A RDC, aparece neste “quadro dos lagos”, como ponto de fricção maior!
O autor escreve de acordo com a antiga ortografia
