A generosidade africana
Num pequeno país africano, uma jovem recém-formada em enfermagem numa universidade europeia hesita. O diploma está na mala, o visto europeu também. Na sua cidade natal, o hospital central tem um médico para cada cinco mil habitantes e dar-lhe-ia um salário de cerca de 250 euros por mês, irregular no pagamento, com um vínculo laboral dependente das simpatias políticas e pessoais do seu diretor. Numa capital europeia, oferecem-lhe um contrato de trabalho, um salário digno, a possibilidade de pagar renda e constituir família. Escolhe a Europa. E quem a pode censurar?
O dilema da Educação nos países em vias de desenvolvimento raramente é discutido com a frontalidade necessária. Formamos, localmente ou no estrangeiro, jovens qualificados que, uma vez munidos de competências e diplomas, encontram na emigração a única via de realização profissional e pessoal. E têm o direito absoluto a ambas. Cada engenheiro, cada médico, cada enfermeiro que parte representa simultaneamente um sucesso individual e um fracasso coletivo.
A Organização Mundial de Saúde estima que a África Subsaariana terá um défice de 5,3 milhões de profissionais de Saúde em 2030. Só........
