Caminho com Tolentino de Mendonça, o pescador sem sandálias
Escrevo esta crónica no Dia de Reis - inicia- se o novo ano -, pretendo fazê-lo com uma oração em união com aquele que mais se identifica com a luz e o bem.
Há 20 anos fiz uma caminhada com o padre José. Começava a ser seguido com curiosidade por intelectuais, com veneração pelos que o ouviam nas homilias da Igreja do Rato e com afeto pelos que com ele tinham a sorte de se cruzar. Caminhei com o padre José entre a lisboeta Avenida de Berna e a Universidade Católica, demorámos alguns minutos, mas nunca mais o esqueci, embora ainda não soubesse dele o verdadeiramente substancial.
Quero neste primeiro texto de 2026 escrever sobre uma âncora, sobre um dos poucos faróis que nos iluminam um caminho coberto de encruzilhadas, maus sentidos e presságios. Passaram-se estes anos, continuei a minha vida, mas acabo de concluir, talvez por ter lido o seu último livro, que ele continua a sua caminhada. Que homem é este que caminha? De onde veio este madeirense, filho de um pescador pobre e quase analfabeto?
O cardeal Tolentino é o Bem. É alguém que não cedeu à vertigem do peso que a dado passo passou a carregar. Foi escolhido por Francisco para tomar conta dos segredos do Vaticano, vive entre........
