Será que as reformas estão do lado certo da história?
Jack Clark, cofundador da Anthropic, traçou há dias em Oxford quatro previsões que sinalizam a aproximação de um futuro hiperdigital, onde sistemas autónomos decidem, executam e se reproduzem sem supervisão humana constante. O Grupo dos Futuros da APDSI cruza esse horizonte com um segundo eixo, que vai da ordem ao caos e que mede a qualidade da nossa resposta coletiva.
O primeiro vetor parece decidido e irreversível. O segundo, esse, ainda está nas nossas mãos e é precisamente aqui que o ímpeto reformista em Portugal parece estar a falhar em três frentes simultâneas.
A primeira escolha é entre construir uma administração proativa ao serviço dos mais vulneráveis ou acelerar processos em benefício de quem já detém poder. A reforma do Estado inclina-se claramente para a segunda opção.
Os auditórios enchem-se de grandes corporações e consultoras que apresentam soluções em PowerPoint antes de o problema ser diagnosticado. Assinam-se contratos do PRR a correr, com os mesmos fornecedores de sempre, sem concorrência real e sem tempo para perguntar se a solução serve o país ou apenas o calendário político. Esta é a velocidade que o Estado sabe imprimir quando o interlocutor é poderoso.
A mesma celeridade evapora-se quando o interlocutor é vulnerável. Portugal já dispõe de repositórios fidedignos, capacidade de interoperabilidade e inteligência artificial aplicável à administração pública. O........
