Reinventando a roda no alto da “torre” e fora da “praça”
Na semana passada, o ministro adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, presidiu à primeira reunião da recém-criada Rede de Simplificação e Tecnologias do Estado. À volta da mesa estavam secretários de Estado, diretores-gerais e presidentes de organismos públicos. As câmeras fotográficas registaram o momento e os comunicados de imprensa celebraram a novidade, mas talvez a novidade não seja assim tão nova.
Criada pelo Decreto-Lei n.º 85/2026, de 13 de abril, a Rede tem uma missão familiar, de apoiar a modernização da Administração Pública, desenvolver serviços públicos digitais e coordenar sistemas tecnológicos do Estado. Ao mesmo tempo, extinguiu-se o Conselho para o Digital na Administração Pública, criado em 2024 e discretamente arquivado pelo mesmo diploma. Mais um organismo substituído por outro.
Os objetivos são difíceis de contestar. Evitar duplicações, reduzir fragmentação, promover interoperabilidade e coordenar áreas como a inteligência artificial ou a cloud soberana. O problema é que esta unanimidade pode esconder uma fragilidade.
No famoso livro “A Praça e a Torre”, Niall Ferguson distingue dois modelos de poder: as torres hierárquicas e verticais, e as praças horizontais e colaborativas. As torres decidem depressa, as praças tendem a decidir melhor e muitas vezes as torres confundem rapidez com........
