A Figura do Dia. O CDS morreu há vários anos
O CDS é um partido que morreu há uns anos. Esteve um tempo nos cuidados paliativos e, por obra e graça de um destino sempre deliciosamente irónico, uma alma caridosa decidiu desligar a máquina e evitar mais sofrimento.
Por isso, quando alguém me conta que estão no Governo e ocupam lugares no Parlamento, concluo que o delírio tomou conta dos palácios e das cabeças.
Há um ministro que “monta” cenários e se aproveita das tragédias para mostrar músculo. E há um deputado que, nos últimos tempos, repete um mantra para que o povo não se esqueça de que o CDS é o original e o Chega um a imitação.
Paulo Núncio esforça-se para multiplicar uma mensagem que indigna a história do partido fundado por Freitas do Amaral e Adelino Amaro da Costa. Cada vez que esta gente surge com Deus na boca, mas com raiva e ressentimento nas ações, penso em todos os democratas-cristãos que combateram com coragem por uma sociedade conservadora, mas inspirada no humanismo cristão.
O CDS é o original, o Chega é a cópia, proclama o homem com voz grave e olhinhos vivos. O que diriam Francisco Lucas Pires, Adriano Moreira, Narana Coissoró, Krus Abecassis, Ribeiro e Castro, Lobo Xavier, Rui Pena e até Paulo Portas?
Não, caro Paulo Núncio, o CDS morreu com dignidade. O senhor ou o seu líder, ministro da Defesa, não representam o partido, mas apenas o nome que herdaram. Faria muita falta voltar a ter a democrata-cristã na nossa paleta de escolhas, seria até capaz de nela votar, mas a associação que os senhores representam é apenas um ardil, uma manigância, um insulto.
