A serenidade perdida
Dali representou a memória através de uma imagem de relógios moles a desfazerem-se em liquidez. O que o nosso tempo está a fazer à memória, com a digitalização da vida e o entrecortar do pensamento, responde à premonição daquele pintor.
A redução em curso do ensino escolar da História e a crescente perda da perspetiva histórica dos acontecimentos levam a vivermos num presente perpétuo, em que cada dia refazemos os gestos do passado, sem disso nos darmos sequer conta. O que escrevemos flui dos nossos dedos, com uma consistência análoga à dos relógios de Dali. O metrónomo das nossas vidas está fixado numa rede virtual que congela cada instante e interrompe cada percurso.
De Quincey escreveu as Confissões de um Fumador........
