A humanidade progrediu muito nos últimos 70 anos (I)
Analisar os últimos 70 anos (de meados da década de 1950 até ao presente) revela um dos períodos de maior transformação material e tecnológica da história humana. Se, por um lado, os indicadores básicos de sobrevivência e de tecnologia atingiram patamares nunca antes vistos, por outro, o impacto ambiental, crises de governança global e o aumento de riscos existenciais representam sérios retrocessos.
Comecemos por ver as áreas em que tem havido avanços mais expressivos [neste artigo], passando depois para as áreas onde a humanidade tem regredido [no próximo artigo], com base nos dados históricos de relevantes organizações internacionais.
1. O progresso económico e social
Nos últimos 70 anos, a economia global passou por uma transformação radical. O PIB [real] mundial saltou de pouco mais de 5 biliões de dólares na década de 1950 para c. 115 biliões de dólares na atualidade.
Todavia, o ritmo de crescimento varia substancialmente entre blocos, com uma clara divergência no crescimento desde a década de 1970 entre algumas das economias mais maduras e a média global.
Por outro lado, a globalização, a liberalização do comércio internacional e as reduções tarifárias permitiram a criação de cadeias de valor globais que embarateceram os preços dos bens de consumo.
Porém, as maiores conquistas no salto civilizacional entre meados do século XX e o mundo atual são as atinentes à melhoria generalizada das condições básicas de vida.
A evolução de três dos indicadores mais cruciais para o bem-estar humano – o declínio da pobreza extrema, o aumento da longevidade e a universalização da educação básica – mostra que o mundo se tornou menos pobre, mais escolarizado e mais saudável.
Para compreender a escala do progresso socioeconómico global nos últimos 70 anos, vale a pena olhar para a evolução dos números relativos aos referidos indicadores.
2. Saúde global e longevidade
Nos últimos 70 anos, a transição epidemiológica – a mudança no padrão de como a humanidade adoece e morre – mostra melhorias significativas e conquistas palpáveis sustentadas por três indicadores-chave: a esperança de vida, a mortalidade infantil e as causas de morte.
Atentemos nos dados, números e contexto técnico desta transformação profunda.
2.1. Esperança de vida à nascença: o salto global
A evolução da esperança de vida no último meio século não foi apenas um ganho para as nações ricas; tratou-se de um fenómeno verdadeiramente global, embora com ritmos diferenciados.
O cenário em 1950: De acordo com o UN World Population Prospects, a média global de anos de vida à nascença fixava-se nos 46,5 anos. Em regiões como a África Subsariana e partes da Ásia, a média ficava frequentemente abaixo dos 40 anos.
O cenário em 1950: De acordo com o UN World Population Prospects, a média global de anos de vida à nascença fixava-se nos 46,5 anos. Em regiões como a África Subsariana e partes da Ásia, a média ficava frequentemente abaixo dos 40 anos.
O cenário atual (2024–2026): O relatório de revisão mais recente das Nações Unidas aponta que a esperança de vida global atingiu os 73,3 anos. Trata-se de um ganho líquido de quase 27 anos de vida em sete décadas.
O cenário atual (2024–2026): O relatório de revisão mais recente das Nações Unidas aponta que a esperança de vida global atingiu os 73,3 anos. Trata-se de um ganho líquido de quase 27 anos de vida em sete décadas.
A compressão das assimetrias: Países como a China viram a esperança de vida saltar de cerca de 40 anos (na década de 1950) para mais de 78 anos na atualidade. Mesmo após o forte impacto temporário da pandemia de COVID-19, que causou recuos globais entre 2020 e 2021, a longevidade recuperou a sua trajetória de crescimento na quase totalidade das regiões.
A compressão das assimetrias: Países como a China viram a esperança de vida saltar de cerca de 40 anos (na década de 1950) para mais de 78 anos na atualidade. Mesmo após o forte impacto temporário da pandemia de COVID-19, que causou recuos globais entre 2020 e 2021, a longevidade recuperou a sua trajetória de crescimento na quase totalidade das regiões.
2.2. A queda drástica da mortalidade infantil (o motor da longevidade)
Muitas pessoas assumem que o aumento da esperança de vida significa que os idosos passaram a viver até mais tarde (o que também acontece), mas a grande revolução matemática da longevidade foi salvar as crianças nos primeiros anos de vida.
Taxa de mortalidade infantil (até 1 ano de idade): Em 1950, a taxa global de mortalidade infantil era de aproximadamente 140 mortes por cada 1.000 nados vivos (14%). Dados consolidados mostram que esta taxa colapsou........
