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O jogador português em “vias de extinção” na I Liga: A consequência de um problema estrutural do Futebol Português

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17.03.2026

Segundo um estudo recentemente elaborado pelo Sindicato de Jogadores, dos 283 jogadores utilizados na 1.ª volta da I Liga, cerca de 83 são portugueses (29%).

Se filtramos esta informação e analisarmos apenas os dados referentes aos atletas sub-23, a realidade é ainda mais alarmante. Do total de 117 jogadores, somente 31 são nacionais (26%). Ou seja, por incrível que pareça, por cada quatro jovens jogadores, que são aposta no nosso campeonato, apenas 1 é português.

Em primeiro lugar, creio que é importante o reconhecimento de que esta situação representa um problema. Não se trata de estar contra os jogadores estrangeiros. O essencial aqui é reconhecer o jogador português como parte crucial da identidade e do desenvolvimento do Futebol Português. Descartá-lo é negar as raízes do nosso futebol. Até mesmo numa perspetiva de sustentabilidade e competitividade das nossas Seleções, incluindo a principal, esta conjuntura merece atenção.

Reconhecido o problema, o passo seguinte é encontrar possíveis causas para que esta situação se tenha tornado uma realidade.

É, de facto, estranho termos percentagens tão baixas de jogadores nacionais no principal escalão do Futebol Português, tendo em conta que o nosso país é mundialmente reconhecido como um excelente formador de jogadores. No debate sobre este tema, sobretudo nas redes sociais, é frequente o primeiro impulso ser responsabilizar os clubes e os seus investidores.

Até certo ponto, essas críticas têm sentido. O Futebol Português está a viver uma fase de mutação, proporcionada pela entrada de investidores no seu setor médio. É cada vez mais comum os clubes dos nossos campeonatos profissionais (I e II Liga) terem as suas SAD na posse de grupos ou fundos.

Como é evidente, cada investidor tem um projeto. Muitos desses projetos podem não passar pela aposta na formação e no jogador português. Ainda para mais, com o crescente fenómeno dos multiclubes, há certos investidores cujo foco poderá estar na valorização de um determinado perfil de jogador, que sirva para alimentar outras equipas do grupo.

Além disso, por muitas voltas que possamos dar, esses investidores têm uma prioridade: retorno financeiro. Com esse retorno financeiro em mente, muitos deles procuram soluções para o imediato.

Ora, quando se fala em aposta na formação, fala-se de investimentos avultados e........

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