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Um julgamento, versões e verdade

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12.07.2026

Era um domingo escaldante e somente Wagner Moura para me tirar de casa naqueles quase 40 graus. Há tempos queria ver o ator em teatro e, por obra da sorte e alerta de uma amiga, tinha comprado o último bilhete de um lote extra para a peça “Um Julgamento – Depois do Inimigo do Povo.” Uma tarde de expectativas que transformou o Centro Cultural de Belém em um tribunal, precedendo a eliminação do Brasil da Copa do Mundo horas depois pela Noruega.

No caminho da ida, enquanto aguardava na parada de ônibus, reparei em duas mulheres que em pouco tempo se “descobriram” brasileiras indo para a mesma peça. Juntei-me ao coro comentando: “Então, vamos as três”. Com a espontaneidade conterrânea, conversamos sobre coincidências, o que ouvimos sobre a apresentação, comparando ainda os verões brasileiro, português e francês.

A carioca e a mineira pareciam mais resistentes ao calor do que esta cearense. Suposição minha ao vê-las mais dispostas e falantes, ao passo que eu me amparava no ponto de ônibus, sobrevivendo ao mormaço que subia do asfalto prestes a derreter as estruturas. Nosso trio resistia com leque, garrafa d 'água, o colorido nas roupas e sorrisos.

Já no leve........

© Diário de Notícias