Crescer com a crise às costas
Nasci em 2001. Quando eu nasci, a Humanidade já sabia do perigo da crise climática. Já tinham ocorrido sete Conferências das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas; e as emissões globais rondavam as 25 mil milhões de toneladas de CO2 nesse ano. Já existia consenso científico sólido de que era preciso reduzi-las.
Quando eu tinha 3 anos, em 2004, a BP – então ainda conhecida pelo nome British Petroleum – popularizou o termo “pegada de carbono”. Todos nós já ouvimos este termo, certo? E mais do que ouvi-lo, todos nós já pensámos na nossa própria pegada, ou foi-nos dito que a devíamos reduzir. A história desta expressão é, no entanto, menos inocente do que parece.
Este termo surgiu de uma campanha publicitária da BP, desenvolvida pela agência Ogilvy & Mather. A ideia era simples e eficaz: transformar a crise climática numa questão de escolhas individuais. Em vez de olharmos para as empresas petrolíferas, como a própria BP, olharmos antes para nós próprios: para o que comemos, para como nos deslocamos, para a energia que consumimos a título individual.
Mas notemos que as empresas que divulgam este conceito são estrondosamente mais responsáveis pelas emissões globais do que qualquer pessoa comum. Segundo dados da Carbon Majors sobre as emissões de 2023, mais de metade das emissões globais de CO2 pode ser atribuída a apenas 36 empresas (incluindo a BP – a mesma empresa que ajudou a pôr a “pegada de carbono” na boca de toda a gente).
O tempo foi passando e, quando eu tinha 14 anos, em 2015, as emissões globais já........
