A política não regressou de férias
Uma rentrée é mais do que um regresso de férias. É o momento em que se reabre o ciclo político e fixa as posições com que se quer disputar o ciclo seguinte. E o primeiro episódio desse ciclo chega dentro de menos de dois meses.
Até 10 de outubro, o Governo entrega no Parlamento o Orçamento para 2027. É por esse critério que valia a pena medir as rentrées de agosto. Governo e PS concentraram o discurso em execução, correção e competência, e deixaram em aberto o terreno mais valioso de uma rentrée: o da escolha.
Donald E. Stokes distinguiu as position issues – escolhas em que os partidos defendem alternativas diferentes – das valence issues, em que todos querem o mesmo resultado e competem pela reputação de serem mais capazes de o produzir. Quando um partido não consegue impor uma escolha nova, sobra-lhe a competência. Já não disputa o que fazer, mas quem faz melhor.
Em 2024, Luís Montenegro usou o Pontal para anunciar o Suplemento Extraordinário das pensões mais baixas, o passe ferroviário de 20 euros e dois novos Cursos de Medicina. Em 2025, o Hospital Central do Algarve, as barragens de Alportel e da Foupana e o regresso da Fórmula 1. Este ano, no mesmo palco, o mais significativo foi o que não anunciou.
O eventual........
