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Portugal sem UE: um exercício especulativo

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Na semana em que se assinala o Dia da Europa e no ano em que celebramos 40 anos de adesão europeia, há exercícios especulativos que valem menos pelo que concluem do que pelo que nos obrigam a ver. Imaginar Portugal fora da União Europeia é um desses exercícios: desconfortável, revelador, necessário. Não se trata de nostalgia nem tampouco de euroceticismo. Trata-se de medir, pela ausência, o peso real de uma escolha histórica que muitos tomaram como inevitável e que, precisamente por isso, raramente se interroga.

I. O país que ficou para trás.

Em abril de 1974, Portugal saía de quase meio século de ditadura com uma economia anémica, uma agricultura arcaica, uma pobreza e analfabetismo castradores e um tecido industrial raquítico. A adesão às Comunidades Europeias, formalizada em 1986, não foi apenas uma opção política. Foi um programa de modernização acelerada financiado externamente e sustentado por uma arquitetura político-institucional que obrigava ao cumprimento de regras. Sem esse enquadramento, o que restaria?

A resposta mais honesta: um país periférico, economicamente mais vulnerável, prisioneiro das suas fragilidades e atrasos estruturais. O acesso ao mercado único, os fundos comunitários que financiaram autoestradas, escolas, universidades, centros de saúde, hospitais, creches, lares de idosos, formação, redes de saneamento, comunicações e infraestruturas de todo o tipo, tudo isso........

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