“Palavra dada, palavra honrada”
“Palavra dada, palavra honrada.” A expressão é antiga. Muito anterior ao tempo político em que voltou a ganhar notoriedade pública. Talvez porque traduz algo simples, mas profundamente exigente: a ideia de que aquilo que se diz deve ter consequências sobre aquilo que se faz. Vivemos num tempo estranho. Nunca houve tantos meios, tantas plataformas e tantos espaços para comunicar. As redes sociais democratizaram a palavra, aceleraram a opinião e banalizaram a reação imediata. Todos falam, todos comentam, todos avaliam. E, paradoxalmente, talvez nunca tenha sido tão difícil encontrar na palavra o peso, a coerência e a credibilidade que outrora lhe reconhecíamos. Não falo apenas da política. Falo da vida. Falo dos compromissos que se assumem sem intenção de cumprir. Das convicções que mudam ao ritmo da conveniência. Das promessas adaptadas às circunstâncias. Das lealdades de ocasião. Da facilidade com que, por vezes, se diz hoje o contrário do que se defendia ontem, sem explicação, sem desconforto, sem memória. Houve um tempo em que a palavra tinha um peso diferente. Muito diferente. Não porque as pessoas fossem perfeitas. Nunca foram. Não porque não existissem interesses, divergências, erros ou contradições. Sempre existiram. Mas porque havia, pelo menos, uma noção de responsabilidade associada ao que se dizia. Valia nos negócios, nas amizades, na família, nas instituições, nas organizações e na vida pública. Quantas vezes........
