“O impacto dos partidos da direita”
Nos últimos meses, independentemente das juras que foram sendo feitas, o Governo tem-se aproximado cada vez mais do posicionamento político do Chega. Não sei se tal reflete a revelação das preferências dos partidos em causa, o PSD e o CDS, ou se se trata da leitura política de Luís Montenegro e de alguns dos seus ministros. É possível, claro, que corresponda ao verdadeiro posicionamento ideológico do Primeiro Ministro, mas creio que corresponderá mais ao entendimento, um tanto oportunista, que ao aproximar-se das posições próprias de um radicalismo da extrema-direita, embora sempre o negando, acabe ganhando o voto dos seus eleitores, transferindo-o para o PSD nas próximas eleições. Olhando para as opções de política pública não restam dúvidas que, devagar, devagarinho, este é sem dúvida alguma o governo mais à direita do pós-1974. A transparência das decisões vai sendo desconstruída. Sob a designação genérica de “Reforma do Estado”, o Tribunal de Contas foi profundamente reestruturado – e não tardará a ser remetido ao esquecimento. Num país onde a cultura de uma corrupção passiva é histórica, alicerçada na falta de uma verdadeira concorrência empresarial e na proximidade a redes de influência, a necessidade de riscos prévios foi eliminada em cerca de 90% dos casos. Poderia afirmar-se que a simplificação e maior........
