menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

““Trabalho XXI”: Entre a...”

22 0
20.05.2026

A discussão sobre o futuro do trabalho em Portugal, raramente é serena. Entre sindicatos e partidos que denunciam “retrocesso civilizacional”, e organizações empresariais que reclamam maior flexibilidade, o debate transforma-se frequentemente numa trincheira ideológica, onde quase tudo é simplificado. No entanto, a proposta de reforma laboral «Trabalho XXI» obriga-nos a olhar para um problema estrutural, que o País arrasta há décadas. Portugal continua a trabalhar muito, a produzir pouco e a pagar mal. Segundo o Governo, Portugal mantém salários “35% abaixo da média europeia” e produtividade “28% inferior à média da União Europeia” (Governo de Portugal, 2026). O diagnóstico pode ser discutível em alguns detalhes, mas dificilmente pode ser ignorado. O país enfrenta um bloqueio económico persistente: empresas pouco capitalizadas, reduzida incorporação tecnológica, baixa intensidade de inovação e excessiva dependência de setores de reduzido valor acrescentado. É neste contexto que surge o Pacote Laboral, enviado à Assembleia da República. E, apesar do ruído político que o envolve, há aspetos positivos na proposta que merecem ser reconhecidos com honestidade intelectual. Desde logo, a reforma procura adaptar a legislação laboral a um mercado de trabalho profundamente diferente daquele que existia há vinte anos. O mundo do emprego mudou mais depressa do que o Código do Trabalho. O teletrabalho, a economia digital, a inteligência artificial e a mobilidade profissional internacional alteraram radicalmente a organização das empresas. Continuar a legislar como se estivéssemos........

© Correio do Minho