“Fintas da memória”
Uma coisa fantástica aconteceu-me no outro dia. Estava a ler as notícias no Dagens Nyheter, um dos grandes jornais suecos, quando apareceu no meio do ecrã um pequeno jogo. O jogador é colocado, via Google Maps, num sítio qualquer do planeta e tem de adivinhar onde está. Só street view, sem nomes de ruas e sem mais referências. Disse a mim própria que parecia giro. E lá fui eu. O primeiro local parecia exótico mas urbano. Pensei: Marrocos. Era a Argentina. Continente errado, mas pronto. O segundo parecia claramente nórdico. Coloquei o pino na Dinamarca. Era a Noruega. Mais perto. Estava a melhorar! E o terceiro tinha qualquer coisa... Um hotel grande, uma rua estreita, uma igreja de pedra. Pensei: isto pode ser Portugal! Pus o pino em Portugal, sem localização específica, num gesto amplo e otimista. Saiu a resposta. Era a rua onde eu morei no Porto! Fiquei ali parada, com aquela sensação desconfortável de quem foi apanhada em falta pela própria memória. Como é........
